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segunda-feira, 20 de junho de 2011

FILMANDO EM SANTO ANTÃO

Uma aventura 'gostosa'no majestoso vale do Paúl

Uma aventura cansativa mas agradável, uma jornada de 12 horas seguidas de trabalho. Trata-se do inicio da produção de um guião/roteiro de um documentário do director Estevão Filimão, o qual tive a honra de ser o produtor local. Um projecto que ainda anda...virá mais...por enquanto ficam as fotografias do making off. A equipa é formada por ex-alunos do curso de especialização em cinema, do M_EIA, Escola Internacional de Artes, de Mindelo.
















OL

terça-feira, 14 de junho de 2011

OLHARES ÍNTIMOS

                                                                                                   Memórias de Baco I

                                                                                         Memórias de BacoII

                                                                                                 Memórias de BacoIII

                                                                                                        Rosa de Adónis

                                                                                                    O lar dos homens I

                                                                                                   O lar dos homens II


                                                                                                   A síntese da Alma I

 



quarta-feira, 16 de março de 2011

Teodoro de Marcelino, cidadão anónimo

A Morte de um Artista...


Foto de Olavo da Luz: Vista de Lombo de Macário, onde residia Teodoro, apartir da casa dos meus pais.

Na semana passada morreu Teodoro de Marcelino, um cidadão anónimo, que na melhor das hipóteses fazia parte da lista de eleitores. Para mim, mais um dessa lista e, feliz ou infelismente de outras , Teodoro é hoje esse fino traço de saudade que atravessa meus ‘olhos grandes’ (expressão do Paulino) e deixa uma promessa de lágrimas e um suspiro de paixão. Revejo seus olhos pequenos e bonitos, sua voz firme e sua amabilidade paternal. Me arrependo de não ter saido do carro há duas semanas atrás para o abraçar em vez de me ter limitado a um aperto caloroso de mão. Ele e a esposa vinham da missa domingueira. Pelas minhas contas, apesar da altivez e firmeza de um jovem andava pelos seus 70 anos, embora o visse como uma espécie de homem imortal. Havia decidido que iria pedir que me fabricasse um tambor mas, não quis importuná-lo naquele momento e nem estragar o sabor daquele encontro fugaz e casual.

Teodoro é um desses homens que, sem heresia, poderia ter dito “eu sou o dono da vida, eu a criei”. Não o diria com o logos e nem por escassez deste, característica completamente avesso ao parlador homem de Santo Antão, mas com suas enormes mãos calejadas. No limite entre a morte e a criação, digo-o pela natureza da matéria-prima e da ferramenta, a balança de Teodoro pesou inconfundivelmente para a vida. Cesteiro exímio, tranformava o caniço e a sua faca afiada em vida, rítimo, harmonia, beleza. De tal forma que quem via seus balaios estilizados queria sempre um e, te-lo-ia a baixo custo, com a humildade e a presteza do Homem Santantonense. Visionário, transformou o balaio utilitário em souvenires que hoje saciam o imaginário de muitos andarilhos emigrantes pela Europa e pelas Américas. Sua tira de transagem era personalizado, mais fino, escolhido a dedo, sem mácula. O rítmo da sua transagem, tão bem bem balanciado, dir-se-ia uma toada de São Pedro saída do tambor que tocava com tamanha harmonia, alegria e sobriedade no recreio da sua arte de cesteiro, pelas múltiplas festas de romaria. Tambor esse que ele mesmo fabricava e coloria.

No pequeno mundo do vale de Chã de Pedras Teodoro de Marcelino é um artísta sobejamente conhecido. Sua obra faz parte da cultura visual do seu povo. Vejo-a claramente enquanto penso e escrevo. Autor dos incontáveis ‘Tambaques’ repletos de espigas multicolores dos anos de fartura, que encimam quase todas as casas do vale e que transbordam para as outras ribeiras, dos Balaios grandes e pequenos que transportam e transportaram durante décadas a cheirosa cachupa guisada, o peixe frito, o aromático café de Fajã dos Bois, a batata assada saída dos calor dos alambiques, o cheiroso grogue de cana sacarina e tantos outros aromas e cores, destinados aos rústicos e sacrificados homens das lavouras. Autor de centenas de Bandejas, irmãs gémeas do pilão, que nas tardes remotas ritma de forma nostálgica e quase silenciosa a separação do farelo, aprumando o milho e a farinha para a cachupa diária e para o fumegante cuscus. Permeando esses prazeirosos sutentáculos da vida dos briosos Homens dos místicos vales de Santo Antão, lá estão sempre essas mãos aparentemente calejadas, porém de uma suavidade e de uma finesa propícias a melhor e mais deliciosa carícia.

No entanto, a arte e a mestria de Teodoro de Marcelino foi soterrado com ele. Tal como tantos outros construtores da vida e das história deste país, ninguem apreendeu e ninguem registou os seus conhecimentos, lamentavelmente.

Quanto a mim, para além das saudades carrego comigo essa teimosia: “vou ter um tambor com a tua assinatura, Teodoro de Marcelino” e , então, dar-te-ei o abraço que, naquele dia, te soneguei por mera distração.

Um grande beijo, meu irmão.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mais uma noite...



O cansaço e aquela ausência, de certo modo incompreensível, reforçavam seu sentimento de desamparo. Sem rumo certo saiu a procura de um lenitivo que lhe pudesse apontar uma bela descida ao vale de morfeu. Instintivamente esquivara-se do lugar comum. O vinho estava fora de cogitação. Ainda pegou o telefone e pensou na mulher mais disponível, que o receberia sem muitos rodeios. Sorriu e jogou o aparelho no porta-luvas. Havia meses que fazia esse mesmo gesto seguido do mesmo sorriso. Tal como outrora, tentou encontrar na sua memória uma imagem consoladora entre as muitas paixões e aventuras amorosas que vivera. Mas nada disso fazia mais sentido. Havia arrumado cada paixão, cada romance, cada mulher bonita, cada noite de sonho, cada promessa em caixinhas/quadrados estanques, hermeticamente fechados, que guardava como um tabu em lado incerto do seu coração.

A meia-lua com bicos apontados para o céu, pachorentemente posicionada rente a montanha, ao meio da ilha de Santo Antão, compondo um belo quadro de contrastes indescritíveis, lhe apontava um rumo. Seria uma Afrodite ou  sósia sua que o convocava para prosa incerta. Limitado pela sua condição de ilhéu, que ora constituia de certo modo uma vantagem, Léo desvencilhou-se da cidade e, minutos depois estava a sós com as pacíficas silhuetas negras das montanhas. Inadvertidamente, uma breve e parca lágrima rolara do canto do seu olho direito. Pensou: há de ser da brisa. Suspirou e, como um voice over num black screen escrevera com a a sua potente e embaçada voz interior:

‘Quisera amiga que cá estivesses. Não precisavas estar perto. Bastava que estivesses viva, que a imagem consoladora da tua mão penetrando suavemente a carne dolorida do meu peito, massageando esse meu coração que te comoveu, para que a solidão assumisse a sua condição natural e pudesse somar inconscientemente mais um dia à minha existência. No entanto, teimas com essa mão inerte sob essa face lívida como se tua vida, humana que fora, fosse apenas paz. Estivesses aqui, digo algures, falar-te-ia, ouvisses ou não, das lágrimas verdadeiras que chorei por uma mulher na calada da noite. Eu que, como bem sabes, guardo séculos de lágrimas nas fibras contraídas das minhas têmporas. Pois, veja que chorei e solucei de felicidade por ter visto, creio eu, a felicidade no rosto de uma amiga. Ou teria chorado por mim? Eu que ainda não chorei por ti. Ou talvez o tenha feito sem que o saiba. Ficarias contente em saber dos meus recentes desamores e dos meus mais recentes pesadelos nocturnos, não pela minha infelicidade, mas pela confiança que te dedico. Tenho me consolado com a voz do mar. Não recordo ter-te confidenciado essa minha excentricidade banal. De qualquer modo a lua sumiu e, na imensidão de estrelas, nesse imprevisto céu de Março, acredito ter-te visto brilhar no céu. Por isso me calo...’

Soprava uma fresca brisa no alto da montanha. No rádio uma voz masculina entoava doce e ironicamente ‘love me tender…’Como pano de fundo ouvia-se o barulho do motor, uma sinfonia suave de grilos na noite e o assoviu da brisa que se impunha pela fresta do vidro ligeiramente aberto. Santo Antão cobrira seu quarto-crescente com um manto negro. No céu, supostamente azul, um mar infinito de estrelas cintilavam. Como cintilavam e transmitiam uma estranha e imensa calma. Na alma do homem uma ligeira cicatriz e aquele anseio repentino e insaciável de estrada. Sorriu e pensou "há de ser apenas mais uma noite"…

Olavo da Luz

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

AS PERIFERIAS DA VIDA



Escrevi este texto há cerca de três semanas atrás. Depois desisti dele. Porém ,relendo-o resolvi publica-lo a revelia do seu enquadramento no tempo...aí está: 

'A seguir aos cumprimentos habituais ‘tiaAninha’ prossegue habilmente seus arremendos com a fineza imperturbável do alto do pedestal da sua ‘visão’ octogenária. Simpaticamente vai me fazendo as perguntas que a põe a par das notícias dos ‘meninos’(entende-se família ausente). A sala e o resto da casa são o retrato fiel de um quatotidiano estetizado, resultante de uma praxis que opera  principios morais seculares introjectados e reiterados diariamente. ‘Limpinha’ diria um visitante de Santiago ou de São Vicente. O lençol impecavelmente esticado do divã exibe sobre o fundo claro um padrão repetitivo de círculos a um tempo colorido, discreto e lúdico. Nas quatro paredes, dispostas de forma ordeira, quase geométrica: impassíveis bonecas, posters de santos, duas bandeiras do clube de futebol New Castle e plantas trepadeiras que se esgueiram a pardir de decilitros de água depositados em lâmpadas recicladas. A estante exibe retratos e estatuetas de santos sobre uma renda de um branco-titânio impregnado pela passagem  vagarosa do tempo. A despeito da forte ventania lá fora e da imposição de um dia cinzento pela bruma seca tem-se a fresca sensação de um dia límpido e calmo.

Djô, o filho único, traja o macacão e sorriso habituais, que se diria serem a sua própria pele. Discorre sobre as recentes chuvas, sobre a ventania que levara consigo as flores dos feijões, sobre a proximidade da colheita da cana de açúcar  e, naturalmente, sobre a ‘votação’, afinal hoje é 6 de Fevereiro. O assunto não merece o entusiasmo do passado e aparece como uma espécie de brisa resultante da cauda de um ignorado furacão que passasse ao longe. Aliás, só o aborda para esclarecer que nunca votou e que não o pretende fazer no futuro porque não acredita que faça alguma diferença. Quanto mais não seja - diz ele- que  “a partir da segunda-feira quando passarem por nós na ribeira a única coisa  que nos darão é a fmaça” (entende-se o pó que se levanta com a passagem dos carros na estrada de terra batida), que “muitos desaparecerão em direcção à Praia (capital) para só voltarem daqui a  quatro anos”, que “ a simpatia com que hoje nos estendem a mão amanhã se transformará em indiferença porque nem um bom dia nos darão”.  A mim que me limito ao deleite do prazer indescritível da companhia da minha gente, para além da minha condição de agnóstico e de homem de parcas paixões que se circunscrevem no interstício do meu narcisismo, não entro no mérito do assunto mormente porque não carrego essas concepções falso-moralistas que impõe ‘deveres’ ou que surrupia direitos (não quero e esse é o meu dever e, consequentemente, continuo a usufruir plenamente de todos os meus direitos, principalmente, porque esses  precedem o  próprio ‘direito’ como dogma). Escusado será dizer que ‘tiaAninha’ vai as urnas e cumpre com seu dever a laia de quem vai a missa. Eu e Djô ficamos por aqui.

A imagem dos bêbados de aspecto miserável carregando desajeitadamente aquelas bandeiras enormes e das meninas pobres nas rotundas cumprindo uma espécie ‘dever’, das poucas imagens que vi da campanha eleitoral, porque por opção muito consciente e livre fechei os olhos e tapei os ouvidos, dizia, aquelas imagens não me saem da maldita memória. Esses 'objectos' continuarão vergonhosamente pobres nos próximos quatro ou quarenta anos, independentemente de quem vença as eleições, porque fazem parte da periferia da periferia (repetição propositado). Afinal, encarnamos esse estatuto com toda a leveza e alienação que nos são característicos, enquanto intelectuais e meia dúzia de políticos terceiromundista e de outros PDM’s vão desenhando discursos e engenhocas para negar esse maldito desígnio a favor dos povos e dos pobres. 

Aos olhos dos amigos que conhecem minhas ideias sou um utópico radical. Não aceito a pobreza para a qual a maioria dos cabo-verdianos vai sendo empurrada ano após ano, década após década. Não a considero um ‘fenómeno natural’ muito menos consequência da ausência de recursos naturais e do nosso ‘nível de desenvolvimento’. É o produto consequente de uma ideologia e de uma práxis bem determinada, de uma minoria igualmente determinada, que empurra, por opção, a maioria deste povo trabalhador para a condição de ‘periféricos’. A solução não está na escolha entre o partido A ou B mas na negação do ‘sistema’ em bloco. A ideologia que sustenta todos os partidos políticos em Cabo Verde para mim é maciça e indistinta e, sobretudo, nos nega como HOMENS. Super valoriza, por um lado, o falso sabichão, criando a aberração do intelectual-licenciado-demagogo-que-tudo-conhece e esparrama o 'loghos' verborreico e patético sobre nossos ouvidos, massageando o seu superego e, 'masturbando' sobre os palcos -em cima dos nossos cabelos crespos- sendo o único capacitado para gerir a 'massa burra' e, por outro, rejeita a ‘phronesis’ Aristotélica do homem comum (conhecimento resultante da experiência engendrada no dia-a-dia) ao mesmo tempo que reafirma e sublinha a sua inferioridade, a sua condição de ‘escravo moderno’ a quem se oferece graciosamente a alforria num enfadonho Domingo, de quatro-em-quatro-anos, através de uma pobre cruz, num miserável naco da papel. (Isso a despeito da Democracia vir a ser o único sistema digno apesar das imperfeições, quando for apreendido por nós e chegar por aqui, é claro). E, finalmente, quando temos a ilusão que se desenham trilhas escapatórias através da educação que permitiria aos pobres ‘depassarem’ o mecanismo alienador e regeitador, tudo se repete porque o próprio sistema cria o diplomado-analafabeto-iletrado, justificável a luz do falacioso argumento do português não ser a lingua-mãe, contornando o objecto para o ludibriar e rejeitar a partir de outro ângulo.

(..)

Sempre que puder virei aqui ver essa gente que, independentemente dos profundos laços afectivos  e de sangue que me prendem a eles, carregam consigo a grandiosa mensagem que ninguém vê, que ninguem ouve. Essa mensagem são eles mesmos. Construíram uma existência HUMANA do nada, da pedra-bruta (isto não é uma metáfora) quando nenhuma condição era favorável e nenhum meio existia, nem natural nem artificial. Fizeram aquilo que os verdadeiros homens fazem. Infelizmente esses estão em extinção. A maioria já vai poética e serenamente em direcção ao pôr-do-sol. Quiçá nossos filhos resgatem essa ambição sartreana: ‘nascer pessoa e construir-se homem, por opção, a partir da ética, única matéria-prima plausível para essa construção”. Para isso terão que nos negar a nós e seguir o exemplo de seus avós.

Furnas, 6 de Fevereiro de 2011.
Olavo da Luz
Terapeuta Ocupacional
Pós-graduando em Cinema e Audiovisuais

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Veredas da Educação



O Primeiro dia de aulas

…um friozinho na barriga indicia a relevância AFECTIVA de um marco na vida: levo o meu filhote ao seu primeiro dia de aulas. Um primeiro que espero ser de uma bem-sucedida  carreira de criatividade, apesar da serialização dos homens promovida pelas escolas. Há cerca de três décadas atrás era eu quem fazia percurso semelhante. Uma das diferenças é que relutantemente eu não queria ir à escola. Meu primo Paulo, da mesma idade que eu, parceiro de muitas batalhas, teve que ir buscar-me em casa durante vários dias seguidos para me convencer. Meu filho vai muito feliz e descontraído.

…no programa matinal da RCV a jornalista que faz a ronda na cidade da Praia reclama de algumas escolas “feias”, com mau aspecto, ao contrário do prometido pelo ministério. O jornalista no estúdio destrói a abordagem da colega alegando que “a campanha de pintura das escolas ainda está em curso e que, certamente, essas escolas irão ser pintadas”. Olho em volta para a movimentação das crianças e adolescentes na rua e, apesar de “UNIFORMIZADAS” e de tudo que conhecemos do nosso sistema de educação tenho esperança que teremos profissionais melhores no futuro. Inclusive para a construção de uma comunicação social verdadeira, que cumpra seu papel…

…tenho as frases do reitor da UNICV e de um analista atravessadas na garganta. Numa reportagem sobre os resultados das “provas de acesso”, particularmente em português e matemática, num canal de televisão, numa apelação inacreditável faziam malabarismos num esforço contorcido de justificação do facto. Um deles apelava para o problema do português não ser a nossa língua de uso corrente como justificação do fracasso.  Outro justificava o sucesso da educação antes da “massificação do ensino” com o argumento de que quem tinha acesso à educação era uma pequena “elite”…ri de tristeza porque sou neto de um “matador de porcos” do interior rural de Santo Antão. Eu e os meus sete irmãos estudamos e sabemos ler e escrever. Usamos esse saber como instrumento de comunicação e de trabalho. Meus pais, octogenários, estudaram até a quarta classe e sabem ler, escrever e raciocinar. A maior parte dos meus amigos e colegas de percurso académico são oriundos de famílias pobres ou muito pobres. Muitos dos meus colegas das tais “elites” ficaram para trás mesmo tendo condições materiais e sociais de longe muito mais vantajosas.     

…o FRACASSO DO ENSINO em Cabo Verde a partir da década de 90 tem de ser assumido por esta sociedade. O rumo tem que ser mudado a 180 graus. Medidas paliativas não servem. Um sistema que fracassa no ensino da língua e da matemática não é válido. O resultado é zero. A linguagem é o suporte do raciocínio e da comunicação. Ela é o diferenciador da espécie humana. Sem a linguagem nos nivelamos com o resto da fauna. Sem raciocínio não há capacidade de trabalho, de produção, de inovação, de criação…se os políticos nos disserem de forma clara que lhes interessa um povo “burro” não estaremos de acordo mas entenderemos seus motivos, que por sinal são muito óbvios…

…misturar a questão da oficialização da língua caboverdiana com o ensino/aprendizagem de outras línguas é uma apelação desnecessária. Brinco muitas vezes com essa história do “alupec” mas sou a favor da oficialização do “crioulo” e acho que já podia ter sido feito. Não sei ler nem escrever em “crioulo” e não tenho motivação para tal. Fui escolarizado em português e estou satisfeito. A língua caboverdiana é bonita, rica, variada e fácil de aprender. Chineses, Noruegueses, Russos, Portugueses…convivem convosco, aprendem a língua com facilidade e com prazer. Mas, por favor não misturem as coisas. Quando falo minha variante de Santo Antão as únicas pessoas que me entendem são as da minha ilha de origem e as de São Vicente. Como todos os santantonenses quando falo com pessoas de outras ilhas sou eu que faço o esforço de adaptação. Mas isso não me incomoda e nunca senti que a minha língua-mãe me impedisse de aprender outras. Nunca tive dificuldades inultrapassáveis na aprendizagem do português, apesar de não ser uma língua fácil. Tenho deficiências sim mas estas resultam unicamente da minha falta de empenho e de cuidado…