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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Veredas da Poesia

Os nomes da curvatura
Não era a primeira vez que se sentia Rosa. Tinha um ‘s’ minúsculo pachorrentamente sentado no bico do seio direito, aquele que melhor se dava aos lábios, mais por não se sabe bem o quê do que por destreza.

‘S’ é curvatura que se esquiva a linha. Linha que do falo nunca foi essência. Embora, a verdade não seja exactamente a tal cadela, é verdade que rosa e sexo são formas que contém em si muita curvatura. Estaria ali a essência do inominável? Pois, enfadonha seria  ela, a vida, que melhor se consagra nos suspiros (gozo é desejo renovado!) se uma inflexível linha fosse. Nem eros nem thanatos nos inspiraria um tal traço. É, no entanto, no entremeio dessa ausência que se descobriu ‘s’ e, como rosa – que não é nome com que se possa baptizar uma menina - no invisível templo desdobra-se em macias sinuosidades.

…foi então que, insinuante, a Lua, que é Puta por inequívoca vocação e devassa praxis (cabível em qualquer moral) se despontou como curvante e derradeira metáfora às sobras do ‘s’, do qual só restam vagas reminiscências (memórias odoríferas da Rosa, a tal menina sem nome) …
OL

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