quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Dangerous Method(2011) - Um filme de David Cronenberg (Canadense)




SINOPSE



O filme é baseado na peça “The Talking Cure”, escrita por Christopher Hampton, autor da peça “Ligações Perigosas” e vencedor do oscar pelo roteiro do filme homônimo baseado na peça. Assim como em “Ligações”, Hampton também adaptou sua própria peça, que conta a história real do rompimento das relações entre Sigmund Freud e Carl Jung, os dois maiores nomes da psicanálise clássica.

Seduzido pelo desafio de um caso impossível, o determinado Dr. Jung decide tratar da perturbada, porém bela, Sabina Spielrein. Usando o método do seu mestre, o renomado Freud, Jung acaba se envolvendo com Sabina, e quando Freud também cai aos encantos de Sabina, a relação dos dois pode sofrer um abalo definitivo. http://prsteyer.blogspot.com/2011/06/filme-dangerous-method-2011.html


Ficha Técnica


Título Original: A Dangerous Method
País de Origem: Reino Unido / França / Alemanha / Canadá / Suíça
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2011
Direção: David Cronenberg
Guião/Roteiro: Christopher Hampton
Música Original: Howard Shore
Direção de Fotografia: Peter Suschitzky
Montador: Ronald Sanders
Casting: Deirdre Bowen
Direção de Arte: James McAteer, Anja Fromm, Nina Hirschberg , Frances Soeder, Sebastian Soukup Cenário: Gernot Thöndel
Figurinos: Denise Cronenberg




segunda-feira, 20 de junho de 2011

FILMANDO EM SANTO ANTÃO

Uma aventura 'gostosa'no majestoso vale do Paúl

Uma aventura cansativa mas agradável, uma jornada de 12 horas seguidas de trabalho. Trata-se do inicio da produção de um guião/roteiro de um documentário do director Estevão Filimão, o qual tive a honra de ser o produtor local. Um projecto que ainda anda...virá mais...por enquanto ficam as fotografias do making off. A equipa é formada por ex-alunos do curso de especialização em cinema, do M_EIA, Escola Internacional de Artes, de Mindelo.
















OL

sexta-feira, 17 de junho de 2011

EUTANÁSIA: A SAGA DO CINEMA EM CABO VERDE



A morte por eutanásia do Cinema Eden Park ainda vai dar pano para muitos e múltiplos discursos. Será inequivocamente mote de cobrança e condenação das gerações futuras, em relação a nossa ignorância no presente. Ignorância essa que resulta não da nossa 'baixeza' de QI, mas da escassez de senso e, da consequente 'miopia'. Andamos essas décadas pós-independência a peneirar a farinha para comer o farelo,  não por acção directa do povo, que é inteligente e batalhador mas, pela nossa incapacidade de construir lideranças positivas no domínio da gestão pública. Sobrou-nos o pudor em relação a participação política e a intervenção cívica e, uma elite 'política' francamente miserável em termos de conteúdo intelectual e de paradigmas. Sobrou-nos os "prados", maioritariamente cinzentos a imitar o cinzento das nossas urbes, ambos consumidos de modo alienado e patético e, os gangs e taxistas a aterrorizar as pessoas, pela sua impossibilidade de comunicação e de produções positivas. Infelizmente, ainda há muitos ignorantes que têm a certeza que é pelo estômago que o ser humano sobrevive,  enquanto o que nos empurram guela abaixo é aço, betão e alcatrão. Mas, morre-se de fome. Fome de nutrientes 'no céu da boca' e no âmago da (in)existência.

Mas, a eutanásia do Eden Park é a ponta do iceberg do acto ignotrante de apagar um século de história do cinema em Cabo Verde, incluindo todo o património imaterial que se construiu a sua volta. Uma história que acampanhou em tempo real o nascimento do cinema no mundo, com os irmãos Lumière, seu cinematógrafo e respectiva  fábrica de onde se engendrou um projector que mal saia da cabeça de 'um engenheiro' já estava em Mindelo.

Depois da batalha inglória dos mindelenses, que mais pareceu um pesadelo, pois ninguém viu seus acenos desesperados, é pelo olhar do cineasta portugês Daniel Blaufuks que essa morte mais uma de múltiplas vezes nos entra na alma. http://noticias.sapo.cv/vida/noticias/artigo/1153386.html.

Blaufuks já ganha prémios com 'seu olhar' sobre essa "memória em vias de desaparecimento", como ele mesmo sentencia. Vale a pela dar uma espreitadela no trailler, no link em cima.

OL

quarta-feira, 15 de junho de 2011

QUALQUER VALIOSA COISA


                                                       Painting by Mien (http://redredday.blogspot.com/)


Qualquer valiosa coisa

O que fazer
Quando quero fazer
E não sei o que fazer?
__ Fazer uma canção!


O que dizer
Quando quero dizer
E não sei o que dizer?
__ Dizer um poema!


Leve, breve.
Breve, longo.


E que lembre, de janeiro
A janeiro, a sangue e fogo,
Desesperadamente,
Qualquer valiosa coisa
Do chileno Pablo Neruda.

Pedro Ramúcio

terça-feira, 14 de junho de 2011

OLHARES ÍNTIMOS

                                                                                                   Memórias de Baco I

                                                                                         Memórias de BacoII

                                                                                                 Memórias de BacoIII

                                                                                                        Rosa de Adónis

                                                                                                    O lar dos homens I

                                                                                                   O lar dos homens II


                                                                                                   A síntese da Alma I

 



segunda-feira, 13 de junho de 2011

ANIVERSÁRIO DE FERNANDO PESSOA

Um dos maiores poetas de sempre..."Não tenhas nada nas mãos" assinado com o heterónimo de Ricardo Reis é um dos meus preferidos. É o epitáfio perfeito para ele e o que queria para mim também.

Fernando Pessoa (13 Junho 1988 - 30 Novembro 1935)

Não tenhas nada nas mãos(1)

Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,

Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,

Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.

Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?

Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?

Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra

Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.

Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.

Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.


Fernando Pessoa, 1914

quarta-feira, 8 de junho de 2011

CINEMA EDEN PARK (1922-2007)










ENTRE LINHAS

Ainda adolescente, nas férias de verão em Santo Antão, entre uma paixão e outra, devorava jornais velhos, almanaques, os livros de banda desenhada que andávamos as trocas desde fedelhos, os livros amarelecidos do meu pai que surripiava escondido da minha mãe e os romances “Júlia” e “Maria” da minha irmã, que ela lia as escondidas e que me emprestava fingindo-se aborrecida. Aos quinze anos não sei porque ‘cargas de água’ comprara numa feira de livros a obra ‘Três Ensaios sobre a teoria da Sexualidade’ de Sigmund Freud e outros dois livros de psicanálise, que eram uma espécie de leituras de alguns aspectos das teorias dele. Nem adianta dizer que não entendi patavina dessas últimas leituras, apesar da avidez com que as devorei, de cenho franzido e com um enorme dicionário a frente. O certo é que abriram meu apetite pelos livros e contribuíram para melhorar meu desempenho na língua portuguesa. Como prémio ganhei elogios da bonita professora de português quando, campónio, fui estudar a Mindelo. Continuo com o mesmo apetite. Hoje meus gostos são selectos. Existem muitos livros que abro e abandono. Os jornais há já dez anos que não os leio, nem os impressos, nem os modernos on line. Também não vejo telejornais. Quando sinto aquela vontade incontrolável de me actualizar (de estar a par do sangue derramado e da política, com a devida perdão pelo pleonasmo) vejo cerca de dois minutos e meio da novela das oito, sendo que nos um minuto e meio finais já sou um viajante do vale de Morfeu. Pena não poder espreitar in locus o clube de livros http://obviousmag.org/archives/2010/11/naked_girls_reading.html mas, na cota de ignorância que a mim me toca vou devorando  uma suposta ‘boa leitura’. É, assim, na verdade,  que me mantenho devidamente informado...lendo Kafka!
1.       Li, duas vezes seguidas, em menos de 24 horas O Vendedor de tempo, de Fernando de Bes (2005).


Sinopse
O Vendedor de Tempo é uma fábula satírica sobre a sociedade de consumo e sobre a alienação humana derivada do sistema capitalista de produção, que pode engendrar tanto pólos de liberdade como de aprisionamento, se permitirmos que o SISTEMA assuma o controlo das nossas vida e do nosso TEMPO e, nos cristalize em padrões alienadores e destrutivos. Uma leitura agradável e fácil.

"Era uma vez um tipo comum que vivia num sítio aleatório, num andar comum, com uma hipoteca para toda a vida. Nada fora do normal. Salvo por um entusiasmo de juventude, quiçá uma obsessão: o estudo do sistema reprodutivo das formigas de cabeça vermelha, entusiasmo esse a que não se podia dedicar por falta de tempo e que com o passar dos anos acabaria por ser... uma verdadeira bomba-relógio! Este é o protagonista da nossa história, um cidadão anónimo que, com uma ideia de negócio irracional em que ninguém acredita, põe em cheque a sociedade de consumo". (Fernando de Bes)

2.    Crime e castigo, 1866 um clássico da literatura universal magistralmente construído por um dos maiores romancistas de todos os tempos: Fiódor Dostoiévski (1821-1881).

Sinopse
Raskólnikov é um ex-estudante de Direito, extremamente pobre e angustiado que  quer fazer 'algo' e tornar-se 'alguém'. Num artigo supostamente científico classifica os homens em ordinários e extraordinários, numa tentativa de justificar acções em prol do desenvolvimento da humanidade. Mergulhado numa angústia profunda e doentia, numa mistura entre um desvario psicopático e um idealismo niilista, ele planeja e mata a machadada uma velha agiota. A contragosto assassina também a irmã desta, que vira acidentalmente o cadáver no chão. Isto porque o protagonista, por um descuido, para ele próprio incompreensível, esqueceu-se de fechar a porta do apartamento da velha. Rouba moedas e jóias dos quais não faz uso nenhum e perambula delirante pelas ruas de Petersburgo. A partir de então desencadeia-se um drama interno de profundo sofrimento, arrependimento, angústia e punição…em torno do qual se configuram histórias igualmente dramáticas de personagens com existências destroçadas pela miséria e pela dor, numa viagem magistral ao mundo interno dos mesmos.

3.      O processo. Franz Kafka, 1925.

      Adoro as obras de Franz Kafka (1883-1924) porque poderiam e são reescritas em 2011. Se qualquer um de nós for ao palácio do governo, ao parlamento, ao palácio da justiça, ao tribunal, à procuradoria da república, à câmara municipal, a polícia judiciária, ao cartório ou à qualquer repartição pública tratar de um assunto qualquer e, pudermos, com maestria descrever essa saga e seus personagens, então, seremos a encarnação perfeita do escritor Franz Kafka. Li O Castelo há dez anos atrás e há dois meses reli o O Processo. Quando puder irei ler e reler toda a obra de Kafka e a recomendo. Temos a imensa sorte que os desejos desse escritor tivessem sido frontalmente violados, isto é, que suas obras não fossem publicadas mas sim queimadas após a sua morte.


      Sinopse
     Josef K. acorda de manhã a ser interrogado e acusado sem saber como, por quem, nem porquê. Apanhado no turbilhão incompreensível, burocrático e patético do sistema judicial não consegue nem condenação, nem inocência. Torna-se prisioneiro da impossibilidade e do absurdo. Não se sabe como funcionam os tribunais, os advogados são inúteis, os magistrados ‘crianças mimadas e rabugentas’, os funcionários corruptos. A certa altura do trama Josef K. que arrasta sua vida pelos corredores intermináveis dos ‘tribunais’ começa e duvidar da sua própria inocência. A ausência de desdobramento do seu processo se encontra envolto em burocracias e secretismos. A defesa é impossível porque a acusação em si já é uma sentença. ‘A inocência verdadeira não existe’. A inocência parcial realiza-se à custa do adiamento do julgamento e da corrupção. O romance é uma crítica metafórica aos mecanismos jurídicos, dogmáticos, obscuros, incompreensíveis e inacessíveis para a grande maioria dos cidadãos.

(continua...)