quinta-feira, 1 de julho de 2010

VEREDAS

...foi então que me disseram: VÁ POR AÍ...engana-se quem pensa que um imperativo assim dito sem que se o diga a luz do sol seja na segunda pessoa. Quem ordena ainda que em máscaras de verbo, vocábulos que soam a falo empunhado ou, em aureas místicas com ameças superticiosas de morte oriundas de um pai totémico - dí-lo de modo anómico. Mas, desgraçadamente, como um louco ou como um artísta ou como um marginal (há quem diga tanto faz!) eu respondi NÃO! como quem nega a mais generosa e pomposa oferta de um diabo qualquer. Pois há muitos deles. Não sei se sou operário mas disse não. A estrada parecia óbvia em todos os sentidos, estava bem sinalizada e, como toda a oferta que se sabe bem oferecer tinha, em geito de mercadoria paraguaia, o tempero do engodo. Disse não. E dito doidamente isto segui então pelas trilhas, tor uosas e imprevisiveis VEREDAS...estas são sempre humanizadas porque começam pelos pés de um homem ou, quem sabe até de um cão, pois que estes, muitas vezes são melhores que certas pessoas, que não chegam a ser Homens (fabricados da matéria-prima ÉTICA, a única apartir da qual as pessoas se podem fabricar Homens), mas que bem poderiam sê-lo...vi paisagens deslumbrantes, senti o cheiro fascinante do mato e do barro, que estranhamente não lembravam a morte, tive sombra e sol escaldante, e  água fresca e garganta ressequida, encontrei amigos aventureiros e tive sorrisos e abraços...mas também inalei o cheiro da podridão e intui o sentido da vida...amanhã, de novo, direi NÃO!

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