terça-feira, 10 de agosto de 2010

Veredas da Poesia


Carlos Drummond de Andrdade, um dos poetas que me encantam pela simplicidade da linguagem e pela escrita intuitiva, sem "racionalismos" e sem disfarces de dicionário, "assim como a vida é!" como diria Raduan Nassar, um dos maiores da literatura lusófona, com "um olho nos livros e um olhão na vida..." 

...José na voz do próprio Drummond!

José pode ser meu pai, um homem que foi imitar a alvura dos gelos da Escandinávia e trouxe-a nos seus cabelos de há muito brancos , um homem que guarda na sua retina  a  memória do respeito com que os noruegueses o trataram  em quase três décadas de emigração. Respeito que em grande medida só pode granjear  em recordações, pois, por aqui  é geralmennte "improcedente". Mas também pode ser João, como o  fino artista/pedreiro Junzin d'Polina a quem me afeiçoei profundamente só de ouvir suas estórias  na voz do seu e do nosso Paulino Dias, pode ser também João do Carmo do alto da sua serenidade e do seu espírito jovem e empreendedor. Pode ser Nhe Crulin, Nhe Fidjin, Manuel, António, teu pai, minha mãe, minha tia, todos octogenários, enfim, um sem número de heróis anónimos que verdadeiramente desbravaram com os seus dedos, em carne viva, esta terra inóspita e nos legaram trilhas heróicamente abertas, na mente e nas ilhas ressequidas. Trilhas essas que ainda não tivemos a humildade e a sereneidade necessárias para as entender e seguir!

" de nós, velhos, desculpam-se os erros,
pois não encontramos as estradas abertas;
mas de quem chegou ao mundo depois de nós,
pode-se exigir mais; andarão por caminhos
que nós já abrimos"(J.P Eckermann)

E agora José?

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